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Livro A Megera Domada será lançado na Cortez

Segue, abaixo, o release da Coleção Clássicos em Cordel, com as novas publicações, que serão lançadas sexta, 20 de março, na Livraria Cortez, endereço já tradicional do Cordel na terra da garoa:
Aventura e bom humor marcam a Coleção Clássicos em Cordel
*************************************************** A Coleção Clássicos em Cordel abre a programação 2009 da Editora Nova Alexandria com três grandes obras
As Aventuras de Robinson Crusoé, A megera domada e As sete viagens fabulosas do marinheiro Simbad são as novidades da Coleção Clássicos em Cordel. A ideia inovadora de unir literatura clássica e poesia de cordel, inaugurada com Os miseráveis e O corcunda de Notre-Dame, ganhou espaço e conquistou o público. As adaptações poéticas feitas por alguns dos mais competentes cordelistas da atualidade, são enriquecidas por ilustrações que se baseiam nas tradicionais xilogravuras e aproximam ainda mais a Coleção do universo do cordel.
O cordelista Moreira de Acopiara, que assina a adaptação de As aventuras de Robinson Crusoé, enfatiza o espírito aventureiro do personagem criado por Daniel Defoe em passagens como esta: “Seu desejo era ingressar/ Na vida de marinheiro,/ Trabalhar sem gastar muito,/ Economizar dinheiro,/ Conhecer grandes navios,/ Viajar o mundo inteiro”.
Já a comédia A megera domada, de William Shakespeare, rendeu pelas mãos do poeta popular baiano Marco Haurélio uma bela versão em cordel. Escrita em sextilhas, a obra mistura o Nordeste brasileiro com a Itália renascentista, cenário da história: “Esta comédia nasceu/ Do gênio de um inglês./ Há muito tempo eu a li/ E agora chegou a vez/ De recontá-la em versos/ E oferecê-la a vocês.”
As sete viagens fabulosas do marinheiro Simbad, recriada em cordel por Sérgio Severo, preserva a riqueza original do conto das Mil e uma noites somada à musicalidade própria da poesia nordestina: “Vem das Mil e uma noites/ A história de Simbad,/ Mercador e marinheiro,/ Famoso em Bagdad,/ E as suas sete viagens/ Tão contadas em Riad”.
Histórias fascinantes em textos dinâmicos, divertidos e emocionantes que somente as boas obras em cordel podem oferecer.
As aventuras de Robinson Crusoé - Adaptação de Moreira de Acopiara; ilustrações de Valeriano; ISBN 978-85-7492-159-4 – 48 páginas – R$ 25,00
A megera domada - Adaptação de Marco Haurélio; ilustrações de Klévisson Viana ISBN 978-85-7492-154-9 – 48 páginas – R$ 25,00
As sete viagens fabulosas do marinheiro Simbad - Adaptação de Sérgio Severo; ilustrações de Valeriano - ISBN 978-85-7492-172-3 – 48 páginas – R$ 25,00
Lançamento: 20/03, às 19:00h, na Livraria Cortez, Rua Bartira, 317. Fone: (11) 3873 7111
Informações: Editora Nova Alexandria: (11) 2215 6252
Escrito por Marco Haurélio às 16h06
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Lançamento de Cordel Infantil

Lançamento do livro infantil O príncipe que via defeito em tudo (ed. Acatu), na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos, em São Paulo.
O príncipe que via defeito em tudo
ISBN: 978-85-61301-01-9 Marco Haurélio Ilustrações de Nireuda Longobardi
Ficha técnica Formato 21 x 21 4 cores Pág. 28 Preço - R$ 20,00
http://www.editoraacatu.com.br/
Escrito por Marco Haurélio às 16h35
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CAVALO PENSAMENTO É ENCENADO NA UNIFIG

O cordel Galopando o Cavalo Pensamento foi encenado por alunos de Letras da UNIFIG, de Guarulhos. A arte do painel é do Professor Chicão. O folheto de autoria de Marco Haurélio - classificado por Arievaldo Viana como "galope soberano" - foi lançado pela Tupynanquim de Fortaleza. A belíssima xilogravura da capa é do competente Erivaldo.

Trechos do cordel:
Das infindas areias do Saara Vem a voz dum milhão de peregrinos, Caravanas, pastores, beduínos, Os herdeiros de Abraão, Agar e Sara. Rubro orvalho tingindo a lua clara Escorrendo do quinto mandamento, Assistindo o funesto nascimento Das barreiras que rasgam os paises, Procissão de mil rostos infelizes GALOPANDO O CAVALO PENSAMENTO.
Fui além dos confins deste planeta, Esbarrei no calor de Aldebarã, Vi a face da Estrela da manhã No vermelho da juba do cometa, Relembrando Maria Antonieta E os mortos que vivem no convento, A miséria que dorme no relento, Ante as larvas que morrem sem viver, Espreitei o abismo do poder GALOPANDO O CAVALO PENSAMENTO.
(...)
Das trombetas ecoam novo som, O tinido das armas me atordoam, O rufar de tambores longe soam, Destruindo o último Panteon Será esse sinal o Armagedon? Ou apenas mais um renascimento De um ciclo que traz o advento Duma aurora de brilho sem igual, Sem início, sem meio e sem final, GALOPANDO O CAVALO PENSAMENTO.
Escrito por Marco Haurélio às 15h19
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Encontro de poetas no Cordel na Cortez

Varneci, Klévisson Viana e Marco Haurélio (Foto: Margareth Barbosa)
A palestra A LITERATURA DE CORDEL: DO SERTÃO À SALA DE AULA, proferida por mim, Marco Haurélio, teve muitos ingredientes interessantes. As boas surpresas foram as presenças dos poetas Klévisson Viana e Varneci Nascimento, que emprestaram mais brilho à atividade. Aproveito para agradecer ao sr. José Xavier Cortez e a Ednilson pela oportunidade de aprender mais um pouco com a permuta de experiência que marcou esse importante evento, que já faz parte do calendário cultural da Paulicéia.
Escrito por Marco Haurélio às 10h10
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Ilustrador - Jô Oliveira Seleção - Marco Haurélio Fernandes Faria Autor - Costa Senna
Nº de Páginas: 160
Quem nunca passou por uma feira, praça ou mercado popular e deparou com pequenas brochuras ilustradas com xilogravuras? A literatura de cordel é uma das expressões culturais mais populares do Brasil. O cearense Costa Senna é um mestre dessa arte. Desde 1990, vive em São Paulo criando uma poesia que é prova cabal da versatilidade desse homem arretado. Nem rural, nem urbano, Senna tem um pé na tradição e outro na modernidade: alia características e temas típicos do cordel com a experiência de vida na metrópole. Nos poemas desta antologia organizada por Marco Haurélio Fernandes Faria, Senna canta a metrópole caótica e seus personagens, que correm apressados, mas não conseguem fugir do olhar às vezes cômico, às vezes trágico do poeta.
UM LANÇAMENTO DA
GLOBAL EDITORA
Escrito por Marco Haurélio às 15h44
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Raul Seixas, Zé Ramalho, encontros e cordel

O cantor e compositor baiano Raul Seixas (1945-1989) não era indiferente à literatura de cordel. Aliás, a estrutura do cordel pontua boa parte de sua obra. Exemplos não faltam. A música Os Números, de 1976, feita em parceria com Paulo Coelho, traz sextilhas como esta:
“Meus amigos,esta noite
Tive uma alucinação
Sonhei com bando de número
Invadindo meu sertão
Vi tanta coincidência
Que eu fiz esta canção.”
Um ano depois, com novo parceiro, Cláudio Roberto, Raul apresentou Que Luz é Essa?, que mantém a estrutura do verso setissílabo, no compasso da poesia popular. Eis a resposta à pergunta do título:
“É a chave que abre a porta
Lá no quarto do segredo
Vem provar que nunca é tarde
Vem mostrar que é sempre cedo
E que pra todo pecado
Sempre existe um perdão
Não tem certo nem errado
Todo mundo tem razão
E o que o ponto de vista
É que é o ponto da questão”.
Vale lembrar que o “quarto do segredo” é um motivo recorrente dos contos populares, que inspiraram muitas estórias do Cordel. Muitos livros foram escritos sobre Raulzito, mas com exceção de Raul Seixas: Dez Mil Anos à Frente, de minha autoria, nenhum conseguiu enxergar a influência da literatura de cordel na obra do cantor e compositor baiano. È o mesmo que falar do paraibano Zé Ramalho e omitir a presença dos cantadores nordestinos no alicerce de sua obra.
Os poetas populares, mais familiarizados com o assunto, vão logo ao cerne da questão. É o caso do cearense Arievaldo Viana, que imaginou um Encontro de Raul Seixas com Zé Ramalho na Cidade de Thor. É a mesma cidade visitada por Raul Seixas no distante ano de 1974. O Encontro mágico dá ensejo a uma peleja, onde predomina o martelo agalopado:
“Raul: - Eu botei uma pitada nordestina
Fiz meu rock em forma de cordel
Pois também admiro o menestrel
Como o papa ama a capela sistina
Botei Jackson do Pandeiro e concertina
Fiz xaxado, fiz rock, fiz baião
Mas não tenho nada a ver com a evolução
Da tal Música Populista Brasileira
Certo dia, bateu-me uma canseira
E viajei, para sempre, na ilusão...”
(...) Para ver o texto na íntegra, clique em: http://recantodasletras.uol.com.br/cordel/928954
Escrito por Marco Haurélio às 09h24
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ROBERTO CARLOS NA LITERATURA DE CORDEL
A polêmica desencadeada pela proibição, na Justiça, do livro Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo César Araújo, revelou que sob os raios fúlgidos da pátria, a liberdade sorri para poucos. É a ditadura econômica, de que fala Chico Buarque, para a cultura bem mais nociva que a dos milicos. Por falar em ditadura e em Roberto Carlos, retornemos a 1965, mais precisamente a Osasco, grande São Paulo. Nesta cidade, antes de uma apresentação no cinema Rex (do latim: rei), encontraremos Roberto saudoso de uma namorada que, naquele momento, estava bem longe, nos States. O ruído provocado pelo dial de uma estação de rádio manipulado por sua secretária, Edy Silva, sugeriu uma melodia. E assim nasceu o refrão: “quero que você me aqueça neste inverno e que tudo mais vá pro inferno”. Com a providencial ajuda de Erasmo Carlos, a música estourou nos quatro cantos do país. Vamos agora ao Nordeste brasileiro, a bordo de um velho ônibus, saído de Maceió com destino a Aracaju, no qual viajava o poeta popular Enéias Tavares dos Santos conduzindo uma mala repleta de folhetos de cordel e bugigangas diversas. Ao lado do poeta um rádio repetia a imprecação em forma de canção do então rei da juventude, nascida naquela noite fria em Osasco, de que falamos há pouco. O poeta ficou atento apenas ao refrão. Quando saltou nacapital sergipana, estava pronto, faltando apenas passar para o papel, o folheto A Carta do Satanás a Roberto Carlos. Na fabulação de Enéias, cansado de ouvir o cantor mandar tudo para o inferno, Satanás resolve escrever-lhe uma carta, tentando demovê-lo da idéia:
“Inferno, corte das trevas,
Meu grande amigo Roberto,
Eu vi o seu novo disco
É muito bonito, é certo,
Mas cumprindo a sua ordem,
O mundo fica deserto.
E o soberano das trevas faz mais este apelo ao ídolo da jovem guarda:
“Tem feito muito sucesso/
Essa sua gravação,
Mas eu já sofri até
Ataque do coração
Porque aqui no inferno
É de fazer compaixão.
Se para aqui vier tudo
Eu fico muito apertado
Pois o inferno já está
Por demais superlotado,
Você ganhando dinheiro
E eu ficando aqui lascado”.
Importante é notar a ressignificação da música na interpretação do poeta popular. O cordel fez tanto sucesso que possibilitou a Enéias “pôr em dia os atrasados”, conforme depoimento ao poeta João Gomes de Sá. Negociado com a Editora Prelúdio, hoje Luzeiro ( www.editoraluzeiro.com.br ), este folheto é editado ininterruptamente há mais de 40 anos.
No seu rastro vieram a lume mais três títulos, todos de Manoel D’Almeida Filho: AResposta de Roberto Carlos a Satanás; A Chegada de Roberto Carlos no Céu e RobertoCarlos no Inferno. Convém notar que no inferno, as diabas se comportam como as jovens admiradoras do “rei” em sua corte terrestre:
“As diabas moças gritavam
Como que ficaram loucas,
Todas pediam autógrafos,
De gritar ficaram roucas,
Porque não havia força
Que calasse aquelas bocas”.
Mais conservador é Apolônio Alves dos Santos, autor do folheto A Mulher que Rasgou o Travesseiro e Mordeu o Marido Sonhando com Roberto Carlos. Outro grande poeta, Joaquim Batista de Sena, lamenta as mudanças ocorridas na Igreja Católica, imputando-as a Roberto e seus seguidores:
“Vou chamar primeiramente
O grande rei do hippysmo
O senhor Roberto Carlos
Com todo seu cafonismo
Pois ele foi quem mudou
A lei do cristianismo”.
A bibliografia sobre Roberto Carlos no Cordel é extensa e reflete a mentalidade do autor, com enfoque ora conservador ora liberal, indo do satírico à estória de exemplo. Manoel D’Almeida, por exemplo, era consultor da Editora Prelúdio, que além da boa literatura de cordel, editava a Melodias, a revista da mocidade, onde Roberto era figurinha carimbada. Daí o tratamento simpático dispensado ao cantor capixaba. Joaquim Batista de Sena, por outro lado, refletia a mentalidade sertaneja, refratária a mudanças, especialmente as ocorridas no seio da Igreja. Hoje, ironicamente, essa parece ser a orientação de Roberto, que riscou de seu repertório, impedindo até que outros artistas gravem, a canção que inspirou o cordel de Enéias Tavares.
“O inferno são os outros”, diria Sartre.
Artigo originalmente publicado em: www.musicnews.art.br
Escrito por Marco Haurélio às 11h46
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CORDEL É LITERATURA

Às vezes, mais do que lembrarmos, é preciso não nos esquecermos que CORDEL é LITERATURA. Felizmente, os poetas populares, nos dias atuais, têm aos poucos retomado o gênero ROMANCE. Outros, como Klévisson, Arievaldo e Rouxinol jamais o abandonaram, pois no Cordel não há espaço para rupturas, já que uma das colunas que o sustenta é justamente a tradição. Nossa geração mantém um excelente diálogo com os grandes poetas veteranos ainda em atividade, como Mestre Azulão, João Firmino Cabral, Antonio Alves da Silva, Manoel Monteiro e outros. Nas oficinas que ministramos, falamos de todos os grandes nomes e das obras clássicas da nossa LITERATURA, pois delas somos tributários. Todo o respeito do mundo aos bravos pioneiros que pavimentaram o caminho por onde transitamos.
MARCO HAURÉLIO, poeta popular, é baiano de Riacho de Santana.
Escrito por Marco Haurélio às 16h20
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CORDEL DE MARCO HAURÉLIO é relançado pela LUZEIRO

A BRIGA DO MAJOR RAMIRO COM O DIABO (trecho)
Peço licença ao leitor Pra narrar este relato Contado por minha avó; Portanto não é boato, Em que o Diabo aparece Na forma dum horrendo gato.
No tempo em que Igaporã Ainda era distrito Da vizinha Caetité E era chamado Bonito, Na fazenda do Barreiro Deu-se um fato esquisito.
No ano Oitenta e Sete Do Dezenove nascia, De tradicional família, Ramiro José Faria, Foi o maior taumartugo Que já existiu na Bahia.
A sua mãe era Angélica E o seu pai, Ladislau, Ele era quase um santo; Ela tinha um gênio mau, Vivia rogando pragas Era pior que um lacrau!
Ladislau vivia orando, Por ser muito devotado, Enquanto a esposa Angélica Lhe dizia: - Excomungado, Pra que perder tanto tempo, Sem ter nenhum resultado.
Vou narrar agora um fato Que com Angélica ocorreu, Estando ela em gravidez, Algo estranho aconteceu, Ouvia-se choro em seu ventre, Até que o bebê nasceu.
A criança que nasceu, Guiada pelo destino, Constatando-se que era Do gênero masculino, Foi chamada de Ramiro, Por ser macho genuíno.
(...)

O Major Ramiro, sentado, é o terceiro à direita.
Pedidos: vendas@editoraluzeiro.com.br
Fone: (11) 5585 1800
Escrito por Marco Haurélio às 17h36
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A CHEGADA DO DIABO NO BORDEL DO BIG BROTHER

Como afirmam os antigos,
“O mundo velho vai mal”,
A televisão tornou-se
Uma imensa bacanal.
E a melhor solução
Nem é trocar de canal.
Programas de baixo nível
Contaminam a telinha.
E o telespectador,
Que há tempos perdeu a linha,
Alimenta a safadeza,
Erva mais do que daninha.
Um programa conhecido,
Faz da putaria escola:
A família reunida
Aos poucos funde a cachola
Vendo um bando de idiotas
Em luxuosa gaiola.
É um tal de BIG BROTHER,
Que quer dizer “Grande Irmão”,
Que em imoralidade,
No mundo é o campeão,
Nunca se viu nem verá
Tamanha depravação.
Lá um bando de “pessoas”
Na casa é trancafiado.
Ao povo cabe escolher
Quem será o eliminado.
E aumentar o ibope
Do programinha safado.
Um tal Pedro “Bilau”
Que apresenta a “atração”,
Até ele se envergonha
De tanta esculhambação,
Porém o “reality – show”
Lhe coube como opção.
(...)
http://www.usinadaspalavras.com/ler.php?txt_id=42870
Escrito por Marco Haurélio às 15h52
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ARIEVALDO HOMENAGEIA MINELVINO

Transcrevo esta homenagem que Arievaldo Viana presta a Minelvino Francisco Silva, o Trovador Apóstolo, um dos grandes nomes da xilogravura e do Cordel.
BIOGRAFIA DE MINELVINO FRANCISCO EM CORDEL Autor: ARIEVALDO VIANA
O poeta MINELVINO Foi um grande trovador Também exerceu com brilho A arte de gravador Para ilustrar um folheto Recortava em branco e preto Suas gravuras com amor.
Na fazenda Olhos D’água De Belém, no município Baiano de Mundo Novo Sua vida teve princípio Me disse um seu conterrâneo Que ele foi contemporâneo De Rodolfo e de Alípio*. No ano de Vinte e Seis Foi grande o contentamento Em dezembro, a vinte e nove Deu-se o seu nascimento Vejamos como o poeta Numa sextilha completa Descreve aquele momento:
“Eu e Jesus em Belém Nascemos quase num dia, Ele em Belém da Judéia Eu em Belém da Bahia. Ele pregava o Evangelho E eu prego a Poesia”
Com idade de doze anos Frequentava uma escola Em apenas trinta dias Dando um trato na cachola Já rabiscava um papel E soletrava um cordel Provando ter boa bola.
Logo o primeiro que leu Causou bastante emoção Era um verdadeiro clássico Dos poemas do sertão O Pavão Misterioso Um folheto volumoso De grande repercussão.
Os folhetos e romances Lhe serviram de cartilha Depois virou garimpeiro Seguindo por outra trilha Trabalhava noite e dia Mas viu que a poesia Tem a “pedra” que mais brilha.
É a pedra da palavra Do saber e da cultura Do conhecimento que Valoriza a criatura, O Minelvino Francisco Resolve correr o risco E abraça a Literatura...
Deixou de buscar o ouro O diamante e o cristal Passou a fazer folhetos De maneira artesanal Com capa em xilogravura Mostrando a sua cultura Tão simples e original.
Manoel D’Almeida Filho Grande vate brasileiro Descobriu a arte simples Desse humilde garimpeiro Vendo a beleza dos temas Levou então seus poemas Pra publicar na LUZEIRO.
Luzeiro é uma editora Que floresceu no Sudeste Publicando muitas obras Dos poetas do Nordeste Com capa bem colorida Pretendia dar mais vida Aos folhetos do agreste.
Mais de quinhentos folhetos Legou à posteridade Gravuras para ilustrá-los Produziu em quantidade Fez também por encomenda Para aumentar sua renda Venceu com dificuldade.
Sendo um romeiro confesso Nosso humilde gravador Dizia em seus livretos “Sou apóstolo e trovador Do meu Senhor do Bomfim” Até que chegou ao fim O seu intenso labor.
Agora em noventa e nove Deste século recém-findo Faleceu o grande artista E agora está dormindo No reino dos trovadores E recebendo louvores Por seu trabalho tão lindo.
FIM
* Rodolfo Coelho Cavalcante (poeta alagoano) e Alípio Bispo dos Santos foram trovadores que atuaram na Bahia e encomendaram muitas capas de folhetos ao xilógrafo Minelvino Francisco da Silva.
Escrito por Marco Haurélio às 09h11
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Ilustração: Jô Oliveira

Este artigo consta da nova edição do clássico HISTÓRIA DA DONZELA TEODORA, lançada pela Editora Luzeiro. É oportuno relançá-lo, pois, neste ano, Se completarão 90 anos da morte do maior poeta popular do Brasil, Leandro Gomes de Barros. Ou, como era conhecido em seu tempo: O Primeiro sem Segundo.
LEANDRO, O GRANDE PIONEIRO
Marco Haurélio
O paraibano Leandro Gomes de Barros (1865 – 1918) é o maior clássico da poesia popular e uma das maiores glórias da cultura brasileira. Foi poeta prolífico e, embora muitos pesquisadores exagerem na estimativa de sua obra, sabe-se que ele legou à posteridade perto de um milhar de folhetos. A pouca familiaridade com a gramática não lhe foi empecilho para escrever obras-primas, como Os Sofrimentos de Alzira, onde lemos esta estrofe adornada por belas antíteses, que revelam o trágico destino da protagonista:
Eu ficarei sobre um túmulo, O senhor num paraíso; Meus olhos gotejam lagrimas Seus lábios brotarão riso. No mais, aceite um adeus. Até o dia do juízo!
Em O Cachorro dos Mortos, há a descrição de um crime passional do qual um cachorro é a única testemunha. No início do romance, Leandro deixa patente o seu respeito pela tradição (“antepassados”) e recorre a um expediente que se tornaria lugar-comum entre os poetas populares: o de ilustrar o prólogo da história com um adágio que remete ao motivo central. Vejamos:
Os nossos antepassados Eram muito prevenidos Diziam: - Mato tem olhos E paredes têm ouvidos, Os crimes são descobertos, Por mais que sejam escondidos.
A Força do Amor, que narra as desventuras do casal Alonso e Marina, começa como uma lacrimosa história de amor e termina como um conto de horror digno de um Allan Poe. A sextilha abaixo, que fecha o romance, resume o clima sinistro criado pelo genial autor:
Na tumba de Montalvão Ninguém mais pôde chegar Porque à meia-noite em ponto Se ouve um eco bradar – Gemer um, suspirar outro, Outro a sorte praguejar!
Mas o estro de Leandro foi muito além da poesia dramática. Foi também um grande sátiro, e dois folhetos seus escritos neste gênero – O Dinheiro (O Enterro do Cachorro) e O Cavalo que defecava Dinheiro – foram reaproveitados pelo mestre Ariano Suassuna no Auto da Compadecida. Por ora, citemos apenas sua grande criação, o grande burlão Cancão de Fogo, que chegou ao cordel antes de João Grilo, de quem é irmão gêmeo em peraltices. Cancão, que influenciou até Mário de Andrade na composição de seu Macunaíma, é o mais sardônico dos anti-heróis que o cordel já produziu. Na sextilha abaixo, um pouco de sua filosofia de vida:
Pai e mãe é muito bom, Barriga cheia é melhor; A doença é muito ruim, Porém a morte é pior; O poder de Deus é grande, Porém o mato é maior!
Mesmo na hora da morte, eis a resposta do endiabrado Cancão a um padre que o exorta ao arrependimento, pretextando livrá-lo dos tormentos do inferno. (É preciso atentar para o espírito crítico de Leandro que o diferencia de outros poetas do gênero, em especial a sua irreverência em relação à Igreja.)
Disse-lhe o Cancão de Fogo: -Padre, eu quero que me dê Explicação do inferno. Lhe peço como mercê. No inferno inda haverá Um diabo como você?
Por estas e outras o grande bardo de Pombal e glória da Paraíba é insuperável. Em outras ocasiões voltaremos a falar dele.
Escrito por Marco Haurélio às 17h30
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O COMEÇO

O meu nome é Marco Haurélio, eu sou filho da Bahia, ser poeta popular é minha grande alegria, pois vou tecendo universos com letras que parem versos, estrofes e poesia.
Com minha mala de sonhos nesta jornada prossigo, fazendo da poesia veste, comida e abrigo, tendo dela todo apoio, pois foi crescendo entre o joio que aprendi a ser trigo.
Com letras que não se apagam escrevo a minha epopéia, vejo os moinhos de vento e clamo por Dulcinéia. O verdadeiro poeta é alvo, é arco e é seta, a concretude da idéia.
Nesta velha casa eu vim ao mundo, conheci o cordel e ouvi muitas histórias. Minha mãe, à luz fraca do candeeiro a querosene, também viu nela alguns mal-assombros. Foi vendida por meu pai, junto com as terras carrascosas, quando da mudança para Serra do Ramalho, nos termos do velho Chico. Ao lado, fica a igreja de adobe, que tem Senhor dos Passos como padroeiro, construída pelo Major Ramiro, meu bisavô, que também construiu o cemitério e fincou uma cruz no alto da Serra Geral, que até hoje move uma multidão em procissão, na quinta-feira santa. Eis a Ponta da Serra. Um pedaço do sertão baiano que também é um pedaço de minha alma.
Estarei postando aqui um pouco do pouco que sei sobre cordel e cultura popular. Desde já, agradeço a visita.
Marco Haurélio,
São Paulo, 03 de janeiro de 2008
Escrito por Marco Haurélio às 13h10
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